Faltas-me

Segunda-feira de Páscoa! Mas o que é que me acontece? Foi ontem que disse a alguém que estou um bocado farta do mundo em que tenho vivido nos últimos vinte anos. De verdade estou farta, muito farta deste mundo. O meu mundo tem a tendência a ser muito virtual, e a realidade nunca me interessou suficientemente para prestar qualquer atenção a que isso constitui. Mas qual é este mundo dos últimos vinte anos?

Portanto esta manhã acordei um bocado sobressaltada. Sonhei. Acordei lembrando-me desse sonho, um sonho como outros que tenho tido e que têm mudado a minha vida. Ultimamente tenho andado um bocado atarefada, e dormir tem sido suficiente para repousar os ossos, mas o luxo de me lembrar do que sonhei, parecia ter desaparecido. Hoje é um dia de luxo, e lembrei-me. Lembrei-me que tinha posto o meu braço sobre os seus ombros e disse-lhe que apesar de tudo, havia algo que não teríamos de cumprir. Esse algo é algo que me tem perseguido nos meus pesadelos, é o algo do drama que me seduzia. Essa sedução tem sido uma maldita sedução! Mas desde quando é que sedução não é maldita?

Ele, o qual do sonho, descontraído e sem a mínima confusão, afirma que esse algo é tal que não temos de cumprir. Que alívio!

Volto à maldita. Quero dizer, volto à procura do sentido dessa palavra tão picante e nada fofa. Foi isso porque não foi bem dita? Seja essa uma questão de pronuncia? Qualquer que seja a sua justificação, que alívio!

Faltas-me. Sim, faltas-me. Tu.

Advertisements